QUARTO DIA – Como Conhecer a Deus

TERCEIRO DIA – Como Conhecer a Deus
27/01/2016
QUINTO DIA – Como Conhecer a Deus
29/01/2016
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QUARTO  DIA – Como Conhecer a Deus

Obediência. Como? Por quê?

E que acontece quando falho?

Que vem primeiro vitória ou paz?

Como posso manter-me sem pecar?

“Quando eu era pequenino, punha-me a chorar quando a meu irmãozinho davam a fatia maior.”

Meu pai costumava repetir esses versos para mim e meu irmão, no momento certo. Lembro-me de um ano em que, nas vésperas do Natal, alguns bondosos irmãos da igreja nos deram saquinhos com doces de Natal. Eram daqueles caramelos duros, que ficam muito tempo na boca.

Meus pais ficaram imediatamente preocupados. Não queriam que estragássemos os dentes ou o estômago, e então estabeleceram um regulamento. Apenas um pedaço de doce de cada vez, e às refeições. Nenhum doce entre as refeições. Eu tinha seis anos, e meu irmão, oito. Aquele regulamento era demais severo para um garotinho, por isso comecei a comer os doces entre as refeições. Quando meu pai descobriu, imediatamente deu fim aos meus caramelos.

A essa altura fiquei muito preocupado com a saúde de meu irmão, e decidi ajudá-lo jogando os seus caramelos no vaso sanitário!

Em resultado dessa minha intervenção, por algum tempo as relações diplomáticas em nossa casa não foram tão agradáveis. Meu irmão ainda gosta de contar essa história quando tem oportunidade. Mas por que fazemos coisas assim? O que nos leva à guerra, numa demonstração extrema; ou noutro extremo, aos aparentemente inofensivos jogos de salão; ou, no meio-termo, ao futebol e beisebol? Por que manifestamos tanto entusiasmo pela questão de quem será o vencedor, quem vai ser o maior, quem vai tirar o 1º lugar?

Tudo isso começou com o pecado, não foi? Lúcifer, o querubim cobridor, o “filho da alva”, disse em seu coração: “Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” Isa. 14:12-14. E ele apresentou essa mesma tentação a nossos primeiros pais no Jardim do Éden: “Sereis como deuses.” Gên. 3:5. Assim começou o pecado, tomando-se para o eu a glória que pertencia exclusivamente ao Deus Criador; assim, muito tempo de nossa vida é gasto em discutir sobre quem é o maior. E com isso nos divertimos. Vemos isso no mundo dos negócios, na vizinhança, e às vezes até mesmo na igreja. E o resultado final é a morte.

Como já vimos, a causa básica de todo pecado é a separação de Deus, resultando e manifestando-se no insaciável desejo de ser o primeiro, e o maior. O egocentrismo é a base de todos os feitos, os atos e pensamentos pecaminosos.

Às vezes as pessoas pensam que, ao experimentarem o novo nascimento, terão acabado completamente e para sempre com o egoísmo, o pecado e a resultante desobediência. Por isso ficam pasmadas e consternadas ao descobrir, algumas semanas depois, que ainda persistem na sua vida alguns dos mesmos pecados, problemas e falhas que tinham antes de começarem seu relacionamento com Cristo. E com demasiada freqüência o resultado é que o recém-convertido cristão se desanima, quebra seu relacionamento com Deus, aguardando novo reavivamento, ou apelo para ir ao altar, ou um despertamento espiritual. A conversão, porém, jamais foi garantia de perfeição absoluta e instantânea, e assim a questão de como o cristão em crescimento se relaciona com as quedas, os fracassos, os pecados, é assunto muito prático, porém doloroso.

 

Como Jesus Tratou os Pecadores Conhecidos

 

É possível que os santos pequem? É possível pecar, sabendo que está pecando, e continuar fazendo o que você sabe que está errado, e ainda ser cristão? Como Jesus lida com os santos que pecam? Esta é uma pergunta prática, e tem uma resposta animadora, empolgante.

Apresentemos, porém, a forma como Jesus tratou cristãos pecadores, tal como a encontramos nas Escrituras.

Vejamos S. Marcos 9, a partir do verso 33: “Tendo eles partido para Cafarnaum, estando Ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho? Mas eles guardaram silêncio, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual era o maior.”

Imagine Jesus e os discípulos descendo pela empoeirada estrada para Cafarnaum. O aspecto de Jesus era de quem ia para Jerusalém, e os discípulos estavam certos de que lá Ele ia estabelecer o Seu reino, o reino terrestre. Mas havia ainda questões a resolver. Não haviam decidido quem seria o presidente da classe, o primeiro-ministro, o ministro das finanças, quem seria o maior.

Assim, enquanto caminhavam para Cafarnaum, estavam procurando resolver essas questões. Sabendo que, discutindo sobre isso, estavam fazendo uma coisa errada, eles caminhavam lentamente atrás de Jesus. Ao chegarem a Cafarnaum achavam-se tão distantes dEle, que Ele não podia ouvir o que diziam. Então, ao estarem a sós em casa, Jesus perguntou-lhes sobre o que vinham discutindo pelo caminho.

Isso nos ensina algo muito interessante quanto ao pecar. É difícil fazê-lo na presença de Jesus. Você já descobriu isso? De fato, as pessoas em sua maioria, mesmo as mais fracas, chegam a admitir que é difícil pecar na presença de alguém a quem amam e respeitam profundamente. Em sua maior parte, os pecados são cometidos na ausência daqueles a quem amamos e respeitamos. De alguma forma temos de sentir-nos distantes de Deus, distantes de Jesus Cristo, para continuarmos deliberadamente a praticar pecados conhecidos.

Imagine, pois, os discípulos andando vagarosamente atrás de Jesus, esperando assim ocultar-Lhe o assunto da conversa que achavam tão absorvente. E quando chegaram a Cafarnaum, à casa onde deviam ficar, Jesus enviou Pedro numa estranha missão à praia, ao banco… ao banco! Um interessante banco, você pode lembrar. A boca de um peixe. E quando Pedro retirou-se, Jesus fez aos outros discípulos uma pergunta. É claro que Ele tinha mais de uma razão para enviar Pedro ao banco! Não queria que ele estivesse presente ao lançar-lhes a pergunta. Queria que os outros discípulos tivessem a oportunidade de pensar antes de Pedro responder primeiro.

Portanto, Jesus mandou que Pedro fosse ao banco, e então interrogou os discípulos: “De que é que discorríeis pelo caminho?” Eles começaram a esfregar os pés no chão, mostrando-se preocupados. E nada responderam. O verso 34 diz que “eles guardaram silêncio”. Era tempo oportuno para guardarem silêncio! Quando fui interrogado sobre o que acontecera com o saco de caramelos de Natal do meu irmão, eu guardei silêncio também! Mas Jesus continuou insistindo em Sua pergunta até que afinal os discípulos disseram: “Bem, a gente estava imaginando … quem vai ser o primeiro no reino.”

 

“Dêem-Me Outros Doze”

 

Ora, a vida de Jesus havia sido uma vida de humildade. Ele a Si mesmo Se esvaziara (Filip. 2:7). Aquele que tivera a homenagem e a adoração de todas as hostes celestiais, viera à Terra, nascendo em humilde manjedoura. Aquele que fora incalculavelmente rico Se tornara pobre, para que através de Sua pobreza nos tornássemos ricos (II Cor. 8:9). Repetidamente Ele procurou levar os discípulos a compreenderem que a verdadeira grandeza baseia-se na humildade. Eles, porém, não apreenderam a mensagem.

Suponho que, nesse ponto, teria sido fácil para Jesus dizer: “Saiam da Minha frente, miseráveis doze! Dêem-Me outros doze, e começarei tudo de novo! ” Ao contrário, Ele os chamou a Si e disse: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos. Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em Meu nome, a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber, não recebe a Mim, mas ao que Me enviou.” S. Mar. 9:35-37.

Ele usou uma criança para mostrar como é o reino do Céu.

Ele era bondoso e paciente com os discípulos. Ensinava-lhes muitas lições, e mesmo quando não aprendiam, continuava ensinando. E acima de tudo, continuou andando com eles, acompanhando-os, comendo, viajando, trabalhando com eles, confiando-lhes a obra e missão que eram dEle.

 

Culpados do Pior Pecado

 

Dessa lição nas Escrituras vemos com clareza como Jesus tratava Seus discípulos quando estes pecavam. Qual era o pecado? O orgulho. Ora, dizemos, cada um tem uma pontinha de orgulho. Nisto se baseia o nosso mundo. E a santificação é obra de uma vida inteira; justamente antes de morrermos talvez possamos dominar esse probleminha. Mas não, porque o orgulho é o pior dos pecados. Foi esse pecado que deu inicio a toda confusão neste mundo. E conquanto seja verdade que, na estimativa de Deus, tanto quanto na nossa, há graduação de pecado, Deus tem uma escala diferente. O orgulho é mais ofensivo a Ele porque é o mais contrário a Sua natureza.

Esse pecado do qual os discípulos eram culpados, era um dos piores, senão o pior. Era pecado, grave pecado. E eles sabiam disso, e procuraram ocultá-lo até que Jesus não os pudesse ouvir. Contudo, continuaram acariciando-o durante os três anos que passaram com Cristo, e até mesmo no cenáculo, na noite anterior à crucifixão. De modo que isto o qualifica como pecado conhecido, contínuo, habitual, acariciado, persistente, insolente – como queiramos chamá-lo. Os discípulos cometiam o maior pecado.

Lembro que, na minha adolescência, ouvi alguém dizer que os únicos pecados que Deus perdoa são os da ignorância. E apresentando um ou dois versos do Velho Testamento, aquela pessoa procurava provar, pelo sistema sacrifical, que somente para esse tipo de pecado foram feitas provisões. Isso quase me arrasou, porque nem todos os meus pecados eram por ignorância. E os seus?

Afirmam alguns eruditos que a expressão “não pequeis”, em I S. João 3:6, significa não cometermos nenhum pecado conhecido. Podemos deslizar, falhar, mas não estaremos pecando intencionalmente. Assim, você fica com a impressão de que os pecados que Deus perdoa são aqueles que você comete acidentalmente. Mas há inúmeras pessoas cujos pecados são mais graves do que esses, para as quais essa colocação não traz nenhum conforto.

Na experiência dos discípulos vemos como Jesus lidou com pecadores ativos, que sabiam que estavam pecando e continuavam pecando.

 

Estavam os Discípulos Convertidos?

 

A esta altura alguém poderá dizer: “O problema dos discípulos é que eles não estavam convertidos.” Não me diga isso! Preciso lembrá-lo de que aqueles discípulos eram os mesmos que expulsaram demônios, purificaram leprosos, curaram enfermos e ressuscitaram mortos. Normalmente, Deus não concede poder para isso a pessoas não convertidas. Quando os setenta retornaram de sua missão, regozijando-se porque tiveram poder para expulsar demônios, Jesus disse: “Alegrai-vos não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos Céus!” S. Luc. 10:20. E em S. João 3, é-nos dito que nem mesmo veremos o reino do Céu se não nascermos de novo. Portanto, podemos inferir que devemos aceitar a premissa de que os doze discípulos estavam convertidos.

É verdade que Jesus, na noite anterior à crucifixão, disse a Pedro: “Tu, pois, quando te converteres, fortalece a teus irmãos.” S. Luc. 22:32. Esquecemos, porém, que a conversão é uma questão diária – e aqui se refere ao fato de Pedro precisar renovar sua conversão. Depois de negar a Jesus, Pedro precisava converter-se novamente, arrependido de seu pecado. Mas antes disso, no cenáculo, quando Pedro concordou que Jesus lhe lavasse os pés, ele estava limpo. Jesus disse isso (S. João 13:10).

Portanto não podemos simplesmente concluir que o problema do pecado conhecido dos discípulos era falta de conversão. Como, então, Jesus trata os discípulos culpados desse pecado? Ele fez Sua clássica afirmação em S. Mateus 12:31: “Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens.” Não é esta uma boa nova?

 

O Pecado Imperdoável

 

Que dizer do pecado imperdoável? O mesmo texto, em S. Mateus 12, fala sobre ele. Mas, espere um momento. Se todo tipo de pecado será perdoado, então teríamos de incluir também o pecado imperdoável, não é? Jesus disse: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” I S. João 1:9. Portanto, Jesus tem o desejo e é capaz de perdoar todo pecado, não é mesmo? Ele diz que todo pecado será perdoado. Então, que é o pecado imperdoável? O único pecado que não será perdoado é aquele para o que não peço perdão, do qual não me arrependo. É simplesmente isto.

Vamos grifar em vermelho, ou verde, ou outra cor: “Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens”, incluindo o pecado conhecido, o habitual, o persistente, e mesmo os piores pecados, tais como o orgulho.

E se Jesus deixou claro que todo pecado será perdoado, e perdoou os discípulos, e continuou a andar com eles mesmo depois de terem cometido o pior pecado, então Jesus deve ser capaz e estar desejoso de perdoar pecados menores, tais como os de assassínio, furto, adultério, não é certo?

 

Nenhuma Condenação

 

Diz o principio bíblico que “Deus enviou Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”. S. João 3:17.

Para a mulher adúltera que os escribas e fariseus tinham conduzido a Jesus, Ele deu a grande resposta dupla, boa para quem quer que esteja preso no pecado: “Nem Eu tão pouco te condeno.” Mas não foi só isto que Ele disse. Que mais? “Vai, e não peques mais.” S. João 8:11. Aqui você encontra um perfeito equilíbrio.

Muitas vezes, quando descobrimos que alguém a quem amamos se acha em dificuldade ou em pecado, dizemos: “Tudo bem, não te condeno.” Mas esquecemos a última parte. Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado. Deus tem provido perdão para os cristãos fracos, imaturos, em crescimento, e também poder para vencer. Enquanto aprendemos como apropriar-nos desse poder em nossa vida, Ele continua a andar conosco. Jesus vê um homem junto a um tanque, e diz: “Não peques mais.” Há poder disponível. Mas é a aceitação de Jesus, o amor de Jesus e a comunhão com Jesus que provêem o poder para não pecarmos mais. É a presença de Jesus que torna difícil o pecar. Daí a absoluta necessidade que o pecador, em pecado, tem de contar com a presença, a contínua presença de Jesus.

A maior necessidade de um jovem que está lutando para vencer, mas fracassa continuamente e continua pecando, é saber que alguém o ama. Somente superam seus erros aqueles que sabem que são amados e aceitos a despeito dos próprios erros. Leva isso à permissividade? Não. Somente esse relacionamento de amor, essa contínua comunhão com Jesus, é que conduz à vitória.

 

A Paz Produz a Libertação

 

Por muito tempo eu pensava que se de alguma forma eu conseguisse vencer minhas faltas, pecados e falhas, então eu teria paz. Foi para mim uma descoberta tremenda quando percebi que, ao ter paz, pude pela primeira vez vencer minhas faltas, pecados e fracassos. Somente quando sabemos por experiência pessoal que Jesus não nos condena, que Ele nos aceita tais quais somos, é que obtemos a paz – o começo das transformações em nossa vida.

Há quatro textos bíblicos que, considerados em conjunto, nos mostram com muita beleza as verdades sobre o perdão, o amor e a obediência. O primeiro encontra-se em S. Mateus 18:21 e 22: “Então Pedro, aproximando-se, Lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”

Entre os judeus nos dias de Cristo, havia o costume de perdoar três vezes. Pedro, procurando ser generoso, sugeriu o dobro e mais uma vez para atingir o número “perfeito”, sete. Mas Jesus respondeu que sete vezes não eram suficientes. Continue perdoando até setenta vezes sete. Compreendemos o que isto significa? Devemos contabilizar e perdoar exatamente 490 vezes? Não. Ele queria dizer que nosso perdão deve ser ilimitado.

Pediria Deus que fôssemos mais perdoadores do que Ele? Obviamente, a resposta é Não. Assim essa resposta de Jesus nos mostra que o perdão de Deus não tem limite.

A passagem seguinte encontra-se em S. Lucas 17:3-5: ”Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se por sete vezes vier ter contigo, dizendo: estou arrependido, perdoa-lhe. Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.”

Às vezes um pastor é chamado para acertar desavenças entre pessoas. Certa feita um membro da igreja telefonou-me que estava aborrecido porque o cavalo do vizinho havia estragado suas plantas. Minha primeira reação foi suprimir uma risada. E então eu disse: “Chame a polícia!”

Essa deve ter sido uma resposta infeliz. Ao reconsiderar o caso, mais tarde, pensei nesta passagem em S. Lucas. Eu deveria ter dito: “Se o cavalo pisar em suas plantas mais seis vezes hoje, o senhor deve ainda perdoar o seu vizinho.”

Que você diria se o cavalo de seu vizinho tivesse pisoteado suas plantas sete vezes num dia, e o vizinho viesse pela sétima vez dizer “eu lamento”? Sabe o que eu diria? “Demonstre isso! Amarre o cavalo!”

Mas o ponto principal é que, se Jesus nos disse para perdoar nosso irmão sete vezes no mesmo dia, Deus não faria menos. Ele não pede para fazermos algo que Ele mesmo esteja indisposto a fazer. E novamente aqui vemos que o perdão divino é ilimitado.

Quanto tempo faz que você se dirigiu a Deus no fim do dia, depois de falhar sete vezes naquele dia, e realmente creu que foi perdoado? É difícil, não é? Nós, humanos, não pensamos assim. Isso não é humano, é divino.

Ao você falar a respeito dessa espécie de perdão, sempre alguém fica nervoso e diz: ”Você vai pôr de lado a necessidade da obediência, e vai provocar a permissividade. Vai permitir que as pessoas brinquem com a graça de Deus.”

Mas aqui adicionamos o terceiro texto, S. Lucas 7:40-43. O cenário é a casa de Simão. Entra Maria, aquela que Simão tinha induzido ao pecado. Ela unge os pés de Jesus, e Simão fica desapontado, e tem o descaramento de condená-la como pecadora. No seu íntimo, ele diz: “Se Este fora profeta, bem saberia quem e qual a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.”

Conhecendo-lhe os pensamentos, Jesus disse: “Simão, uma coisa tenho a dizer-te.” E Jesus contou uma simples história que somente Simão compreendeu.

”Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?

”Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem.”

Assim você chega à conclusão de que quanto mais é perdoado, mais você ama. É um princípio universal e eterno.

E agora precisamos acrescentar mais um texto, S. João 14:15: “Se Me amardes, obedecereis aos Meus mandamentos.” Isto significa que, ao compreendermos o amor de Deus, veremos que ele não nos conduz à permissividade ou graça vulgar, mas sim à obediência.

 

Perdão, Relacionamento, Obediência

 

Com nossas limitações humanas achamos difícil aceitar esse perdão ilimitado. Se tão-somente continuarmos buscando a Jesus, aprendendo a conhecê-Lo e a confiar mais nEle, então chegaremos a experimentar o que já reconhecemos na teoria – o amor e o perdão de Deus. Quando O amamos Lhe obedecemos, mas, embora estejamos crescendo em amor, confiança e comunhão com Ele, freqüentemente escapamos de Suas mãos. É então que caímos, fracassamos e pecamos, e precisamos de mais uma vez ir a Ele para arrependimento – mesmo sete vezes num só dia.

É, portanto, possível ao cristão em crescimento, descobrir que tem um pecado persistente em sua vida, e ao mesmo tempo continua o seu relacionamento com Jesus. Chegamos a esta conclusão do estudo deste capítulo das Escrituras. Os discípulos mantinham seu relacionamento com Deus e, ao mesmo tempo, tinham um pecado conhecido. Ao continuar o estudo você chegará a outra conclusão além desta. Embora seja possível continuar o relacionamento com Deus e ao mesmo tempo acariciar o pecado, mais cedo ou mais tarde uma das duas coisas desaparecerá.

Judas era o mais inteligente dos discípulos, dotado de rápido raciocínio. Ele apreendeu a mensagem. Compreendeu este princípio de que, mais cedo ou mais tarde, ou o pecado ou o relacionamento com Jesus teria um fim.

E Judas disse: “Não quero dar fim a meu pecado.” Assim, deliberadamente, rompeu a comunhão com Cristo, em favor de seu pecado.

Chegamos agora à questão real quanto ao pecado acariciado, pecado atrevido e despótico – o tipo de pecado que mostra evidentemente que estamos em terreno perigoso, tremendamente perigoso. Quando escolhemos quebrar nosso relacionamento com Jesus, ou recusamos esse relacionamento, então estamos em perigo.

Talvez você tenha encontrado pessoas que não querem tornar-se muito religiosas porque temem as mudanças que poderão ocorrer. Pessoas religiosas que não queriam avançar em seu relacionamento com Jesus porque não desejavam mais mudanças em seu estilo de vida. Assim era Judas. Mas os outros discípulos permaneceram com Jesus. Nada pôde afastá-los dEle.

Um exemplo clássico do oposto de Judas, é João, o amado. Como Judas, ele tinha os seus maus traços de caráter. Mas estava sempre a postos. Foi um dos primeiros discípulos a seguir a Cristo. Lá estava ele ouvindo Jesus pregar, vendo os Seus milagres. Lá estava ele no Jardim, na corte de Caifás, junto à cruz, junto ao sepulcro. João era um homem que estava sempre onde devia estar. No entanto, ele tinha problemas. Juntamente com seu irmão, pediu a Jesus que lhes permitisse invocar fogo do céu sobre a aldeia dos samaritanos. Ele com sua mãe e irmão foram pedir a Jesus um lugar privilegiado no Seu reino – um irmão à direita, e o outro à esquerda do Mestre. João era filho do trovão. Mas continuou preferindo permanecer com Jesus e afinal provou que, se você prosseguir em sua comunhão com Cristo, mais cedo ou mais tarde o seu pecado terá um fim. É assim que isso funciona, é a única maneira.

Anos mais tarde vemos João novamente. É o único sobrevivente dos doze; todos os outros morreram como mártires. João encontra-se na ilha de Patmos, e escreve a própria mensagem de Jesus. Ele escreveu cartas que dizem coisas assim: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus… Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” I S. João 4:7 e 8. Houve uma mudança em João. Ele foi transformado pela graça.

Talvez a princípio tenha recebido a visita de antigos amigos que lhe tenham dito: “João, você está muito mudado!”

E João deve ter olhado para eles e dito: ”Quem? eu?” Porque as pessoas que são transformadas são as últimas a sabê-lo e as últimas a anunciá-lo. Mas a graça de Deus tem realizado a sua obra.

 

A Relação Constante

 

Permita-me dizer-lhe que se você continuar conhecendo diariamente a Jesus como seu Amigo pessoal, se mantiver um significativo envolvimento com Ele em sua vida particular, se nada o afastar dEle, então como João o amado, você sofrerá uma discreta transformação de caráter, imperceptível a você mesmo. Mas seus amigos provavelmente saberão. E qualquer que seja o pecado com o qual você está lutando, conhecido ou não, habitual ou acariciado, ele finalmente desaparecerá.

Às vezes ficamos impacientes e procuramos determinar mediante escalas o crescimento, vitórias e sucessos da vida cristã. Mas seria melhor não fazer isso! Essa questão pertence a Deus; é a obra do Espírito Santo. Os discípulos foram transformados gradualmente: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. E enquanto durar o relacionamento com Cristo, esse relacionamento de amor tem sua própria salvaguarda contra a corrupção. Quanto mais profunda nossa comunhão com Cristo, tanto mais nos afastaremos da permissividade e deixaremos de brincar com a graça de Deus. Sou grato hoje pela maneira como Jesus trata os pecadores conhecidos. Isso traz esperança e conforto ao cristão em luta, em crescimento.

E se é certo que somos transformados mediante contínua relação com Cristo, então isso nos revela o segredo da obediência. Somos transformados pela graça, através de um relacionamento constante com Cristo – não mediante nossas lutas, resoluções e esforços para combater o pecado e o diabo. Durante muito tempo, muitos têm mantido duas crenças incompatíveis na fé cristã: Por um lado, que podemos guardar os mandamentos de Deus, que podemos superar e vencer nossos pecados; por outro lado, que necessitamos da ajuda de Deus, mas temos que lutar com nossas próprias forças para Lhe obedecer.

Atualmente há pessoas que ficaram tão frustradas com a melhor obediência que puderam prestar em sua própria força, que decidiram abandonar totalmente sua crença na vitória. Contudo, não é isso que nos ensinam as Escrituras. Sim, os discípulos pecaram, falharam e caíram repetidamente, mas há algo além disso! Através do contínuo relacionamento com Cristo foram transformados à Sua imagem e se tornaram mais que vencedores por Aquele que nos amou.

Conquanto seja verdade que nossa aceitação por Cristo não se baseia em nossa obediência, e que o perdão é ilimitado, de maneira alguma isso desacredita a verdade de que Deus tem poder disponível para guardar-nos de pecar.

É muito bom compreender que a justiça vem somente pela fé e total confiança de que fomos aceitos por Deus, baseados exclusivamente no que Jesus já fez em nosso favor. Faz-nos bem saber que Seu perdão é ilimitado e que Ele tem infinita paciência conosco enquanto crescemos na graça. Mas é possível ir além, e aceitar a verdade de que a obediência e a vitória estão a nosso dispor, e podem ser reais em nossa vida hoje. É bom saber que a obediência, assim como o perdão, vêm somente pela fé. Há muito tempo, Paulo afirmou isso em Col. 2:6: “Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle.”

 

Razões Por Que a Obediência Vem Somente Pela Fé

 

Desejo agora apresentar concisamente oito razões bíblicas por que a obediência só pode ser produzida pela fé, e não pelos nossos próprios esforços.

  1. Porque a Bíblia o afirma. É este um bom argumento? Em Romanos 1:17, Paulo diz: “O Justo viverá por fé.” Quem são os justos? São aqueles que aceitaram a justificadora graça de Deus, certo? E aqui a Bíblia nos diz que os justos, aqueles que foram justificados, também viverão por fé.
  2. A obediência só pode vir pela fé devido à natureza da humanidade. Discutimos isto no PRIMEIRO DIA. Em Romanos 5:19 é-nos dito que pelo pecado de um homem, muitos se tornaram pecadores. E em S. João 3, vemos que a menos que nasçamos de novo, não poderemos ver o reino dos Céus. Se é verdade que, como nos lembra Isaías 64:6, “toda a nossa justiça [própria] é como trapos de imundícia”, então a obediência só pode vir da total dependência de outro Poder. Por causa de nossa própria natureza, não podemos fazer nada por nós mesmos.
  3. A obediência só pode vir pela fé por causa da natureza de nossa entrega. Como estudamos no SEGUNDO DIA, a entrega significa abandono de nós mesmos (Romanos 9 e 10). Se abandonamos nossa própria habilidade, então passamos a depender do poder de outro. É impossível, ao mesmo tempo, esforçar-nos muito para ser obedientes e desistir como incapazes de fazê-lo. A desistência nega a possibilidade de um esforço árduo para conseguir obedecer. Quando nos abandonamos, ou nos entregamos, colocamo-nos em total dependência de Deus.
  4. A obediência vem pela fé somente, pelo fato de que Deus deseja que estejamos sob o Seu controle. Romanos 6 trata disso. Neste mundo temos duas opções, duas possibilidades quanto a quem pode ter o controle de nossa vida, ou Deus, ou o diabo. Não há terreno neutro. Nosso único controle consiste em escolher qual dos dois poderes queremos que nos controle. Sendo que Deus nos controla pelo amor, ao nos rendermos a seu amorável controle nos tornamos obedientes.
  5. A obediência vem somente pela fé por causa da natureza do arrependimento, e este não é nossa própria obra, é um dom (Atos 5:31). Você conhece a clássica definição de arrependimento? Qual é? É tristeza pelo pecado e abandono deste. Assim sendo, então o abandono do pecado também deve ser um dom, não é mesmo? Não é algo que conseguimos, mas sim, é algo que recebemos.
  6. A obediência vem pela fé somente, porque é fruto da fé. Ensinando sobre isso, em S. João 15, Jesus deixou claro que a obediência é um fruto. Fruto é resultado de alguma outra coisa. Você não consegue frutos por tentar arduamente consegui-los. Você os consegue da Videira. Se estivermos na Videira, produziremos frutos de maneira espontânea, natural.
  7. A obediência resulta somente da fé porque Jesus é nosso poderoso exemplo. Ele viveu e efetuou Suas obras mediante o poder que Lhe vinha de cima (S. João 14:10), e não por algum poder inerente. Ele veio a este mundo não apenas para morrer por nós, para pagar a pena pelo pecado, mas também para mostrar-nos como viver dependendo de um Poder superior. Jesus levou uma vida de obediência exclusivamente pela fé e tornou-Se o maior argumento para provar-nos que somos convidados a viver como Ele o fez, em obediência pela fé.
  8. A obediência resulta somente da fé pelo fato de que nos é oferecido descanso em viver a vida cristã, bem como descanso da culpa do pecado. Consideremos isto mais detalhadamente. Em Hebreus 4:9 lemos: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.” (Note que é para o povo de Deus – para aqueles que aceitaram e se tornaram Seus filhos.)

A maioria de nós sabe o que é estar cansado fisicamente, e também sabe o que significa estar cansado espiritualmente. Encaremos a questão. Todos nós, em todas as gerações, temos lutado com o fardo da santidade, que, às vezes, não difere muito do fardo do pecado. Achamos freqüentemente que a vida cristã assemelha-se a subir um morro íngreme com pesado fardo nas costas. Mas Hebreus 4 oferece repouso para o povo de Deus.

Vejamos várias outras passagens que falam de descanso. A principal, Apocalipse 14:11, assim diz na última das três mensagens angélicas: “E não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem, e quem quer que receba a marca do seu nome.”

Bem, dirá você, isto se refere à destruição final dos ímpios, no lago de fogo. Um momento, há mais implicação nisto do que simplesmente a profética e histórica. Jesus disse: “Vinde a Mim… e Eu vos aliviarei.” S. Mat. 11:28. Então, se os adoradores da besta e de sua imagem não têm descanso nem de dia nem de noite, é porque não aceitaram a Jesus, certo?

Outro verso em Apocalipse 14 tem significado espiritual muito interessante. É o verso 13: ”Então ouvi uma voz do Céu, dizendo: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem de suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.”

Bem, sei que isto tem que ver com cemitérios e túmulos, e com aqueles que morrem na fé, aguardando a segunda vinda de Jesus. Consideremos um pouco mais. Aqui há o sentido espiritual também. “Bem-aventurados os que morrem no Senhor.” Você já ouviu sobre a morte para o eu, mediante Cristo? “Para que descansem de suas fadigas” Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. ” “Pois as suas obras os acompanham.”

Hebreus 4:10 também fala sobre repouso. “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das Suas.” Quando Deus descansou de suas obras? Na Criação, não foi? Foi então que Ele deu o sétimo dia como um memorial, um sinal, a fim de recordar-nos Sua obra criativa. Em Hebreus 4 somos convidados a entrar no repouso sabático. De que o sábado é sinal? De santificação. Êxodo 31:13 e Ezequiel 20:12 e 20 são textos que aludem a isso. O sábado é um sinal do Deus que santifica Seu povo. A verdade acerca do dia de descanso de Deus e a verdade sobre o descanso de nossos próprios esforços para vencer, estão intimamente relacionadas.

 

Descanso Para o Pecador Cansado, Descanso Para o Santo Cansado

 

O capítulo 4 de Hebreus refere-se a três tipos de repouso: descanso da obra de aceitação e perdão de Deus (versos 2 e 3); descanso da luta para vencer o inimigo (versos 9 e 10), e o repouso do esforço para conseguir o Céu, ou entrar na Terra Prometida (verso 6). É possível aceitar um tipo de descanso e não o outro.

Muitas pessoas têm aceitado o descanso de Deus no que concerne a sua esperança de vida eterna, e confiam na obra concluída de Cristo em favor delas. É possível, porém, que ao mesmo tempo estejam batalhando para viver a vida cristã. Você pode sentir que, embora não haja pagamento à vista, as mensalidades poderão aniquilá-lo. E então começa a pensar que, afinal de contas, o dom da salvação é caro demais.

Hoje convido você a entrar no descanso de Deus, a parar de procurar obedecer mediante suas próprias obras, a fim de superar suas faltas e sair vitorioso. Se prosseguirmos buscando um relacionamento pessoal com Ele, Deus nos conduzirá ao repouso simbolizado pelo descanso sabático.

 

Como Obedecer

 

Bem, procurarei expressar tudo isto nos termos mais simples possíveis. Se você entrar em comunhão com o Senhor Jesus Cristo, e continuar de agora em diante até que Ele volte, Ele fará o restante. Esta é a resposta mais simples à questão de como obedecer. Em Filipenses 1:6 é-nos dito: “Aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus.” O perdão é um dom, a salvação é um dom, e a obediência é um dom, todos esses a serem recebidos através de contínuo companheirismo e comunhão com Aquele que é o Doador.

Somente o cristão fiel poderá compreender e experimentar o que é realmente a obediência. Não é simplesmente outro esforço para ajudar-se a si mesmo, nem mudança de comportamento, nem o enfoque do pensamento positivo que proporciona mudanças exteriores àqueles que têm suficiente força de vontade para consegui-las. A obediência pela fé provém unicamente do coração e só é alcançada por aqueles que mantêm comunhão diária com Jesus Cristo.

Você pode escolher continuar esse relacionamento com Deus, dia a dia, e o resultado de conhecer Jesus será a obediência que vem exclusivamente pela fé. Como é bom saber o que Deus deseja realizar em nós, e através de nós, a fim de que Seu nome seja glorificado perante o mundo e o Universo!

Pr.Raul
Pr.Raul

Pastor do Ministério Nascido de Novo e coordenador do Seminário Teológico Nascido de Novo, Youtuber e marido da Irmã Vanessa Ângelo.

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