O Porque de não ser igreja.

Há um ditado que diz que desde que o homem demarcou um território e disse: “este pedaço de terra é meu”, a igualdade social deixou de existir e evoluiu até os piores momentos da história.
Minha citação neste sentido serve de ponte pra parafrasear o seguinte: “desde que o homem inventou que igreja é templo, e não gente”, que a história da religião cristã desaguou nas mais escuras águas de sua história.
(Minha crítica aqui certamente não refere-se à generalização, mas com certeza a uma grande maioria)

 

A igreja é um lugar de unção / Enquanto que Cristo rompeu com o paradigma do lugar de espiritualidade.
A igreja é um lugar de prepotência / Enquanto que Jesus se fez o maior exemplo de humildade.
A igreja é um teatro / Enquanto que Cristo viveu o real e não encenou no madeiro.
A igreja é um comércio / Enquanto que Jesus reprovou o negócio em nome de Deus.
A igreja é um caserna de super-homens / Enquanto que a Bíblia é um livro cheio de doentes.
A igreja é esconderijo / Enquanto que deveria ser uma galeria aberta ao mundo.
A igreja é santuário / Enquanto que deveria reunir humanos santos.
A igreja é mais vigiar e punir / Enquanto que Deus é mais amor e misericórdia.
A igreja lida com estatística / Enquanto que Cristo lida com sentimentos.
A igreja convence / Enquanto que Deus converte.
A igreja apedreja / Enquanto que Cristo pedagogiza no perdão.
A igreja visa a forma / Enquanto que Deus visa a intenção.
A igreja é denominacional / Enquanto que Deus nem é evangélico nem muito menos católico.
A igreja se fragmenta / Enquanto que a IGREJA se solidifica
A igreja é uma invenção / Enquanto que a IGREJA somos nós. Eu e você.

A Diferença entre Luciano Huck e Deus.

Luciano HuckLuciano Huck

Quem já gastou algum tempo assistindo ao programa Caldeirão do Huck certamente já se emocionou ou deu boas risadas acompanhando os diversos quadros da atração global. Com destaque para os quadros copiados de programas norte-americanos, como “Lata Velha” e “Lar Doce Lar”, o paulista Luciano Huck ganha a cada dia status de um excelente empreendedor social, impulsionado também pelo cargo de criador e diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, uma ONG que promove o desenvolvimento social, profissional e pessoal de jovens por meio do audiovisual.

Sustentabilidade a parte, há algo de cômico e intrigante nos quadros do programa de Huck: a solidariedade barganhadora do apresentador. Funciona assim: “Eu reformo teu carro, mas para isso, você precisa se sujeitar a um número, fazer uma apresentação artística imitando, cantando, dançando, desde Ney Matogrosso até Silvio Santos, e se o público apoiar, aí sim, você terá o seu carro de volta”. Há também atividades lúdicas, com gincanas de escoteiros e coisas do tipo, tudo para obter o fim: a reforma da casa, por exemplo.

Este tipo de programação não só atrai o público como gera receita, como a atração de Huck, que está no mesmo horário do célebre programa do Chacrinha, e é líder de audiência no horário há um bom tempo.

No atual contexto eclesiástico evangélico, enganadamente, acontece quase que da mesma maneira da atração global. Deus, como uma espécie de Luciano Huck, se propõe a fazer favores a nós, e espera que assumamos performances ridículas, como castidades, atos proféticos, práticas religiosas não fundamentadas, “submissão” a líderes inescrupulosos, orações poderosas, campanhas e muitas outras atrações. E na mesma forma que Huck, só recebemos os favores de Deus se formos aprovados pela “plateia eclesiástica”, que inclusive nos aplaudirá caso consigamos cumprir, quesito por quesito, a “prova” proposta. Leso engano.

Enxergo aqui então, uma diferença abismal entre Luciano Huck e Deus. O Deus vivo não espera nada de nós para nos conceder seus favores, por isso tudo quanto recebemos, o recebemos pela graça. Alguns poderiam dizer que Ele espera de nós a fidelidade. Leso engano. Afinal, o que seria de nós se a fidelidade de Deus dependesse da nossa, se em verdade foi por pura obra de amor e misericórdia que ele nos deu vida? Não estaria contraditório à palavra que diz que estávamos mortos em transgressões (Efésios 2)?

Deus é fiel, não ao homem, mas à Ele e principalmente à Sua Palavra, pois garantiu que sempre estaria de braços abertos e amorosos para os receber, e é exatamente por sua fidelidade que a promessa se cumpre.

Ainda assim, outros também poderiam dizer que Ele espera de nós a santidade. Vejam só, a palavra santo, tanto no grego “hágios”, quanto no hebraico “kadosh”, denotam o mesmo significado, “separado” por Deus e para Deus. É Deus que nos separa para nos tornar santos. O tornar santo de Deus significa nos tornar cada dia mais parecidos com Cristo, pequenos cristos, “petrus” (pequenas pedras) da “Petra” (rocha, Cristo). Ora, a santificação vem também de Deus, não de nós.

Por fim, diante disso, alguns de vocês diriam que Deus espera de nós a fé. Mas incrivelmente e paradoxalmente, a fé que temos, que agrada à Deus, vem do próprio Pai, de acordo com Paulo em Efésios 2:8, e através do próprio filho Jesus Cristo, autor e consumador da fé, conforme ressalta o autor de Hebreus no versículo segundo do capítulo doze.

Fujamos todos do humanismo cujo a tônica é dizer que você pode fazer algo para que Deus se lembre de você, pois contrapondo a isso, o cristianismo afirma que você precisa de Deus e não que Deus precisa de você, das suas habilidades, do seu sacrifício, do seu dinheiro, como o humanismo ressalta. Triste e falsa ideia da modernidade.

Deus não é, de fato, o Luciano Huck. No “Caldeirão de Deus”, quem manda é Ele. O favor Dele para conosco, depende somente de sua soberana vontade. Não existe fé, santidade, oração poderosa que faça com que a mão de Deus se mova. A única coisa que faz a mão de Deus se mover é a sua soberana vontade. Ele, que diz “o meu propósito ficará de pé e farei tudo o que me agrada”(Isaías 46:10). Abandone o humanismo e venha conhecer a paradoxal loucura de 1 Corintios 1:18.

Ter isso em mente é simplesmente maravilhoso. Estamos com o Deus que não tem sua vontade manipulada por nós e nem por ninguém, mas faz tudo segundo o conselho da sua soberana vontade. E que além de tudo é um Deus Bom, de Amor e Santo, e que também faz tudo cooperando para o bem daqueles que o amam, e faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. Loucura, loucura, loucura!

Por Luciano Bruno

Garota Festeira??

Uma nuvem provocada pela fumaça do cigarro pairava sobre nós naquela festa na casa da fraternidade, dividindo espaço com um forte odor de álcool e colônia. Eu tentava encontrar algum rosto conhecido, no meio de toda aquela confusão. Contudo, tudo o que via era eu mesma ser cada vez mais espremida por aquela multidão de estudantes.

Era meu primeiro fim de semana na faculdade e havia ido àquela festa junto com outras calouras. Não demorou muito, contudo, para que eu me perdesse delas. Rapidamente me vi sozinha e abandonada.

Como uma caloura, queria aproveitar cada novidade no campus. Não esperava a hora de me ver livre dos ponteiros dos relógios estabelecidos pelos meus pais para que eu chegasse em casa. Pela primeira vez na vida eu não tinha ninguém a quem seguir, por não estar fazendo a “coisa certa”. Quer dizer, ninguém, exceto Deus. Mesmo assim, de repente Deus pareceu como algo que me prendia pelo pescoço. E embora eu não quisesse perder meus valores cristãos, também não queria me sentir podada. Na verdade, eu queria mesmo era ser aceita. Por isso, achei que se fosse a festas desse tipo conseguiria me encaixar em um grupo.

Sem um copo de cerveja em minha mão, logo percebi que eu estava fora do ambiente. O pessoal toda hora perguntava: “Você quer uma cerveja?” ou “Por que você não está bebendo?”. Eu geralmente respondia “vou pegar uma mais tarde” ou “estou ok agora!”. Fiquei com medo de dizer que não bebia, receosa de me perguntarem o por quê? Se eu expusesse o real motivo, seria taxada de a garota de Deus, anti-social. Por isso, para evitar as perguntas, peguei uma lata de cerveja e comecei a beber naquela noite.

Abri a lata e sutilmente comecei a sentir o odor da cerveja. Olhei para aqueles que estavam ao meu redor e então levei a lata à minha boca. Antes de dar o segundo gole, ouvi uma voz no meio da multidão dizendo:

“Nunca vi uma pessoa inspecionar tanto sua bebida”.

Olhei para ver um garoto que estava atrás de mim.

Dei uma risada de nervoso, assustada com o que estava acontecendo. “Pois é, sou uma iniciante”, eu disse a ele.

“Então você é uma caloura?”

“Isso está tão óbvio assim?”

“Só porque você olha de um jeito que parece que está bebendo um veneno”

“A gente tem que começar em algum momento”, disse a ele enquanto percebia que ele não tinha uma lata na mão. “Cadê a sua?”

“Ah, não. Essa não é minha praia”

“Você não bebe?”

“Não”

Fiquei pensando se ele estava falando sério. “Mas você está em uma festa da fraternidade, você deveria beber”.

“De jeito nenhum. Eu moro aqui, na verdade. Bem, meu nome é Kevin”.

“Prazer, Kevin. Eu me chamo Elizabeth… essa é sua fraternidade? E você não bebe?” Eu vi uma cruz no seu pescoço.

“Pois é. Eu saio e me divirto, mas sem álcool. Ninguém acha isso grande coisa”. Ele sorriu e olhou para minha cerveja. “Você quer mesmo isso?”

Eu não disse nada. Simplesmente larguei a lata de cerveja. Imediatamente me senti aliviada, mas alguma coisa ainda me incomodava.

“Não é frustrante ser a única pessoa sóbria em uma festa como essa?”, perguntei a ele.

“Não mais”, Kevin respondeu. “Eu costumava ficar frustrado. Não é fácil resistir a essas coisas aqui”.

“Você costumava beber?”

“Eu bebi uma vez quando era calouro, só para ver como era. Agora já sei como é o outro lado, e acho que não vale à pena. Dê só uma olhada para essas pessoas”. Ele apontou para as dezenas de pessoas cambaleando ao nosso redor. “Eu não queria aquilo para mim”.

“Mas você ainda é amigo deles?”

“Claro, eles são meus irmãos da fraternidade, e muitos deles me respeitam por não beber. Além disso, eu tenho outros amigos que não bebem. Basta que eu saia com eles.”

Fiquei parada por um instante, pensando no que Kevin havia falado. “Bem, eu tenho procurado, mas parece que não consigo achar alguém aqui como você”.

“Nem todo mundo bebe aqui. Você já ouviu falar do grupo Campus para Cristo?”

“Não. O que é isso?”

“É um grupo no campus que trabalha com evangelismo”.

“Eles se encontram todas as quintas-feiras de noite. É onde eu encontro pessoas que compartilham de minha fé e, ainda assim, querem se divertir”, ele continuo a explicar.

“Preciso conhecer isso”, disse a ele.

“Acho que vou nessa”, ele me disse.

“Foi um prazer te conhecer. Talvez nos vejamos na quinta!”, ele acenou.

Na quinta-feira seguinte eu parti para o encontro do grupo e percebi que não era a única cristã no campus. Logo descobri que tinha amigos com quem contar e que me ajudariam bastante em diversos aspectos. Além disso, quando me senti mais confortável naquele ambiente comecei a liderar um grupo de estudo para calouras. Ainda assim, não falo apenas com os que têm a mesma fé que eu. Na verdade, montei uma organização que reunia garotas de todas as confissões religiosas, e inclusive garotas sem religiões.

Ainda enfrento desafios. Algumas vezes é sobre álcool; outras vezes é sobre sexo ou outros assuntos que surgem. Cada vez que surge uma decisão difícil a ser tomada, peço a Deus que me oriente. Nas festas, aprendi que não preciso abrir uma lata de cerveja para me encaixar no grupo. Quero ser o tipo de pessoa que eu buscaria encontrar fora de uma festa. No meio da escuridão, eu quero brilhar!

Elizabeth é uma estudante do segundo ano na Universidade Miami, em Oxford, Ohio. Ela é membro do capítulo Delta Lambda da Aliança Kappa Kappa Gama.

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